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Olá Pessoal!! Estou agora atualizando o Tutorial deste blog, uma vez que ocorreram algumas mudanças em sua funcionalidade tornando o mais pr...

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Hibridação de orquídeas – Grupo Cattleyas

Olá Pessoal!! Venho agora aqui agora para dar continuidade sobre o assunto das Cattleyas, só que agora o foco não é nas espécies e sim na hibridação, afinal o grupo das Cattleyas é o mais importante grupo de orquídeas do mundo e o que apresenta o maior número de híbridos aparecendo centenas de novos híbridos a cada ano com novas formas, padrões e cores atendendo as mais diversas necessidades dos consumidores e orquidófilos. Para começar nossa viagem vejam agora alguns híbridos:


Cattleya Horace 'Maxima'


Blc Chia Lin 'New City'


















Pot. Burana Beauty 'Burana'






















Lc Issy




Lc Aloha Case coerulea








Caticlia atrowalker
E aí gostaram? Se repararam bem algumas das imagens estão com nome, mas esse será um assunto que falarei mais no decorrer da postagem.

Começando de fato nossa jornada para entendermos a importância da hibridação primeiro precisamos saber o que é hibridação e para isso o primeiro passo é entender o que é uma espécie natural.

Para definir espécie segue agora essa definição:

"De acordo com o conceito biológico de espécie (CBE), espécies são agrupamentos de populações naturais intercruzantes, reprodutivamente isolados de outros grupos com as mesmas características. Definição proposta por Mayr em 1963." Fonte google imagens.

traduzindo essa definição para o leiguês Espécies são aqueles que ocorrem na natureza e cruzam entre si e seus descendentes mantêm as mesmas características ao longo das gerações sem nenhuma intervenção humana. Daí nós temos as enumeras espécies de orquídeas espalhadas pelo mundo e no caso das Cattleyas mais de 30 espécies espalhadas pelo Brasil(incluindo as Laelias).

É importante sabermos o que é espécie natural de híbrido, pois todo híbrido começa com uma espécie natural que seja pelas mãos do homem, ou por um acaso da natureza é cruzada com outra espécie formando um indivíduo mesclado que damos o nome de híbrido. O híbrido pode ser natural, que é quando ocorre de forma espontânea na natureza( ex: Cattleya X Dolosa – Cattleya walkeriana x Cattleya loddigesii) ou artificial, quando é a mão do homem que faz o cruzamento com o fim de obter plantas diferentes.

A possibilidade da hibridação artificial abriu muitas possibilidades e no caso das Cattleyas foi e continua sendo algo excepcional, primeiro pelo fato que as possibilidades são praticamente ilimitadas e os resultados são impressionantes. A hibridação das Cattleyas já ocorria no século XIX e conforme a descoberta e coleta e cultivo de outras espécies de Cattleya aconteciam mais e mais híbridos eram feitos e hoje em dia se tem no mercado uma infinidade de híbridos dos mais diversos tipos, tamanhos, formas, cores e esse trabalho sempre vai continuar com novas novidades a cada ano, graças as infinitas possibilidades geradas pela hibridação.


Concluindo, a importância da hibridação se faz pela necessidade de se buscar novas variedades de cores, formas e tamanhos, maior durabilidade das flores, plantas mais resistentes a pragas e doenças, plantas que floresçam mais de 1 vez ao ano, plantas mais precoces entre outros fatores. É por causa de toda essa importância que iremos aprofundar um pouco no mundo dos híbridos das Cattleyas e agora para continuar nossa jornada vamos falar um pouco sobre a nomenclatura dos híbridos certo pessoal?! Vamos lá...


Quando nos referimos à orquídeas a nomenclatura correta é fundamental, pois o nome é a identidade da planta e muito mais que um nome científico ou um registro ele nos permite acessar informações úteis para o cultivo dessa planta e muitas vezes quando compramos um híbrido sem identificação fica muito complicado na maior parte dos caso conseguir seu nome e sem o nome muitas vezes fica difícil levantar as informações úteis sobre seu cultivo, portanto, vamos sempre tentar comprar nossas plantas com identificação correta ok?


Em relação ao nome de espécies a regra é a determinada pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica. Uma regra mais complicada da botânica que consiste na classificação binomial sendo que esses nomes devem ser latinizados ou em latim e a escrita deve ser com o primeiro nome, que corresponde ao nome genérico com a primeira letra em maiúscula e o segundo nome, o específico ou epíteto todo em minúsculo e ambos os nomes devem está escrito em itálico. Vejam o exemplo:

  • Cattleya loddigesii
  • Cattleya walkeriana
  • Cattleya forbesii
  • Cattleya amethystoglossa
  • Cattleya velutina
  • Cattleya aclandiae
  • Cattleya labiata


Reparem que todas as espécies naturais botânicas seguem o mesmo padrão de escrita. No final do post colocarei alguns links sobre as regras de nomenclatura botânica para maior entendimento de todos vocês.


Já em relação aos híbridos a coisa é bem mais simples. Para começar todos os híbridos de orquídeas são registrados pela RHS( Roya; Horticultural Society). O registro é bem mais simples de se fazer e qualquer pessoa pode fazer e o custo é relativamente bem baixo e a burocracia envolvida pequena. A nomenclatura de híbridos(artificiais) é regulada pelo Código Internacional de Nomenclatura de Plantas Cultivadas. Seu criador pode colocar o nome que quiser, sendo que ele não deve ter mais que dois nomes, fora o nome do gênero híbrido, portanto a nomenclatura de híbridos costuma ficar da seguinte forma: Primeiro vem o nome do gênero híbrido com primeira letra em maiúscula e depois vem o nome do híbrido com as iniciais em maiúscula também e a escrita é normal(sem itálico). Quando houver variedade clonal, tanto em híbrido quanto espécie este vem escrito entre ' ' e sua primeira letra geralmente vem em maiúsculo e sem itálico. Vejam exemplos:

  • Brassolaeliocattleya Chia Lin 'New City'
  • Cattleya Horace 'Maxima'
  • Caticlia Atrowalker
  • Brassocattleya binosa
  • Potinara little Toshie 'H&R'
  • Laeliocattleya Aloha Case 'Ching Hua'


Interessante não é pessoal?!

Vamos agora passar para outro conceito importante, o gênero híbrido.

Gênero híbrido nada mais é que uma criação que designa quais gêneros(botânicos) foram cruzados entre si quando são feitos os cruzamentos intergenéricos. Oé Andrew, mas então é possível se cruzar plantas que sejam de gêneros diferentes?! Sim pessoal, é sim e muito comum, sendo que na família orchidaceae é muito frequente os ditos cruzamentos intergenéricos, portanto  os híbridos podem ser de cruzamentos de espécies pertencentes a um mesmo gênero ou de gêneros diferentes. Quando os híbridos são feitos com espécies do mesmo gênero o gênero híbrido acaba sendo o mesmo do gênero botânico. Vejam o exemplo:



  • Cattleya Horace 'Maxima'
  • Cattleya x dolosa


Agora quando os híbridos são feitos por cruzamentos intergenéricos  o gênero híbrido resultante costuma ser a aglutinação dos nomes dos gêneros envolvidos formando uma nova palavra ou então quando o cruzamento envolve 4 gêneros ou mais costuma-se criar um novo gênero híbrido artificial com o sufixo "ara". Para melhor entendimento vejam  os exemplos abaixo:



  • Brassolaeliocattleya Chia Lin 'New City
  • Laeliocattleya Aloha Case 'Ching Hua'
  • Brassocattleya Binosa'
  • Potinara Burana Beauty 'Burana'
  • Caticlia Atrowalker


Muitas vezes para encurtar as escritas é utilizado as siglas dos nomes genéricos:



  • Blc = Brassolaeliocattleya
  • Rlc = Rhyncholaeliocattleya
  • Bc = Brassocattleya
  • Bl = Brassolaelia
  • Lc = Laeliocattleya


Híbridos naturais:

Ainda temos os híbridos naturas pessoal e a nomenclatura destes seguem a mesma regra vigente para as espécies, acrescidas do "x" entre o gênero e o epíteto. Vejam os exemplos:


  • Cattleya x dolosa
  • Cattleya x venosa
  • Cattleya x joaquinana


Interessante não acham??


Pois é pessoal, após esse básico sobre a nomenclatura dos híbridos vamos então mergulhar de cabeça nos híbridos de Cattleya e para começar vamos entender a sopa de letrinha que são os principais cruzamentos existentes, para então passarmos para os principais grupos de híbrido, de acordo com os principais critérios utilizados nas exposições para o julgamento de qualidade.

A subtribo Laelineae é bem ampla com muitos gêneros, com grande parte com interesse horticultural, devido sua grande beleza de flores e plantas, em especial a Cattleya como a orquídea mais importante e graças a isso existem uma grande quantidade de híbridos, tanto interespecíficos, quanto intergenéricos, sendo que cada cruzamento deste recebe uma denominação específica, portanto quando vocês virem a nomenclatura ou as siglas saberão quais gêneros foram envolvidos. Vejam aqui os principais cruzamentos intergenéricos dentro do grupo Cattleyas:


Gênero Abreviação oficial (Cruzamento) Allenara Alna (Cattleya × Caularthron × Epidendrum × Laelia) Arizara Ariz (Cattleya × Domingoa × Epidendrum) Brassocatanthe Bct (Brassavola × Cattleya × Guarianthe) Bishopara Bish (Broughtonia × Cattleya × Sophronitis) Brassolaeliocattleya Blc (Brassavola × Cattleya × Laelia) Buiara Bui (Broughtonia × Cattleya × Epidendrum × Laelia × Sophronitis) Brownara Bwna (Broughtonia × Cattleya × Caularthron) Cattlassia Cas (Brassia × Cattleya) Cattkeria Cka (Barkeria × Cattleya) Clarkeara Clka (Brassavola × Cattleya × Caularthron × Laelia × Sophronitis) Cookara Cook (Broughtonia × Cattleya × Caularthron × Laelia) Cattleytonia Ctna (Broughtonia × Cattleya) Cattlianthe Ctt (Cattleya × Guarianthe) Cattotes Ctts (Cattleya × Leptotes) Catyclia Cty (Cattleya × Encyclia) Cattleychea Ctyh (Cattleya × Prosthechea) Catcylaelia Ctyl (Cattleya × Encyclia × Laelia) Dekensara Dek (Brassavola × Cattleya × Schromburgkia) Diacattleya Diaca (Cattleya × Caularthron) Dialaeliocattleya Dialc (Cattleya × Caularthron × Laelia) Epicattleya Epc (Cattleya × Epidendrum) Epicatonia Epctn (Broughtonia × Cattleya × Epidendrum) Epilaeliocattleya Eplc (Cattleya × Epidendrum × Laelia) Estelaara Esta (Brassavola × Cattleya × Epidendrum × Tetramicra) Fordyceara Fdca (Broughtonia × Cattleya × Laeliopsis × Tetramicra) Fialaara Fia (Broughtonia × Cattleya × Laelia × Laeliopsis) Fujiwarara Fjw (Brassavola × Cattleya × Laeliopsis) Fredschechterara Fre (Broughtonia × Cattleya × Epidendrum × Laelia × Schomburgkia) Guaricattonia Gct. (Broughtonia × Cattleya × Guarianthe). Gladysyeeara Glya (Brassavola × Broughtonia × Cattleya × Cattleyopsis × Caularthron ×Epidendrum × Laelia × Sophronitis) Guarisophleya Gsl (Cattleya × Guarianthe × Sophronitis) Hawkesara Hwkra (Cattleya × Cattleyopsis × Epidendrum) Iacovielloara Icvl (Brassavola × Cattleya × Caularthron × Epidendrum × Laelia) Iwanagaara Iwan (Brassavola × Cattleya × Caularthron × Laelia) Izumiara Izma (Cattleya × Epidendrum × Laelia × Schromburgkia × Sophronitis) Jewellara Jwa (Broughtonia × Cattleya × Epidendrum × Laelia) Johnyeeara Jya (Brassavola × Cattleya × Epidendrum × Laelia × Schromburgkia ×Sophronitis) Kirchara Kir (Cattleya × Epidendrum × Laelia × Sophronitis) Kraussara Krsa (Broughtonia × Cattleya × Caularthron × Laeliopsis) Kawamotoara Kwmta (Brassavola × Cattleya × Domingoa × Epidendrum × Laelia) Laeliocattkeria Lcka (Barkeria × Cattleya × Laelia) Laeliocatanthe Lcn (Cattleya × Laelia × Guarianthe) Laeliocatarthron Lcr (Cattleya × Caularthron × Laelia) Laeliocatonia Lctna (Broughtonia × Cattleya × Laelia) Laeliopleya Lpya (Cattleya × Laeliopsis) Lyonara Lyon (Cattleya × Laelia × Schomburgkia). // renomeada como Schombolaeliocattleya [Scl.] Mailamaiara Mai (Cattleya × Caularthron × Laelia × Schromburgkia) Mizutara Miz (Cattleya × Caularthron × Schromburgkia) Mooreara Mora (Brassavola × Broughtonia × Cattleya × Laelia × Schromburgkia ×Sophronitis) Matsudaara Msda (Barkeria × Cattleya × Laelia × Sophronitis) Maymoirara Mymra (Cattleya × Epidendrum × Laeliopsis) Nuccioara Nuc (Cattleya × Caularthron × Laelia × Sophronitis) Opsiscattleya Opsct (Cattleya × Cattleyopsis) Otaara Otr (Brassavola × Broughtonia × Cattleya × Laelia) Procycleya Pcc (Cattleya × Encyclia × Prosthechea) Potinara Pot (Brassavola × Cattleya × Laelia × Sophronitis) Recchara Recc (Brassavola × Cattleya × Laelia × Schromburgkia) Rhyncholaeliocattleya Rlc (Cattleya × Rhyncholaelia) Rolfeara Rolf (Brassavola × Cattleya × Sophronitis) Rothara Roth (Brassavola × Cattleya × Epidendrum × Laelia × Sophronitis) Sophrocattleya Sc (Cattleya × Sophronitis) Schombolaeliocattleya Scl (Cattleya × Laelia × Schomburgkia). // renomeada como Lyonara [Lyon] Scullyara Scu (Cattleya × Epidendrum × Schromburgkia) Sophrolaeliocattleya Slc (Cattleya × Laelia × Sophronitis) Schombocattleya Smbc (Cattleya × Schromburgkia) Schombocatonia Smbcna (Broughtonia × Cattleya × Schromburgkia) Stacyara Stac (Cattleya × Epidendrum × Sophronitis) Stellamizutaara Stlma (Broughtonia × Broughtonia × Cattleya) Turnbowara Tbwa (Barkeria × Broughtonia × Cattleya) Tetracattleya Ttct (Cattleya × Tetramicra) Tuckerara Tuck (Cattleya × Caularthron × Epidendrum) Vejvarutara Vja (Broughtonia × Cattleya × Cattleyopsis) Vaughnara Vnra (Brassavola × Cattleya × Epidendrum) Wilburchangara Wbchg (Broughtonia × Cattleya × Epidendrum × Schromburgkia) Westara Wsta (Brassavola × Broughtonia × Cattleya × Laelia × Schromburgkia) Yamadara Yam (Brassavola × Cattleya × Epidendrum × Laelia) Youngyouthara Ygt (Brassavola × Broughtonia × Cattleya × Caularthron) Yahiroara Yhra (Brassavola × Cattleya × Epidendrum × Laelia × Schromburgkia) Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_h%C3%ADbridos_intergen%C3%A9ricos_de_Cattleya

é bastante coisa não é pessoal, mas na prática muitos desses cruzamentos ficam meio parecidos entre si e devido a esse fato é possível determinar padrões que podem ser parâmetros para a criação de grupos com a finalidade de facilitar e tornar mais justo o julgamento em exposições, uma vez que dependendo dos gêneros envolvidos o resultado pode puxar mais para determinado gênero ou para outro e assim esse grupo de plantas possuir um padrão próprio, que é diferente de outros grupos. Por exemplo, as Rlc(antigas Blc), C, Lc costumam ter aquele padrão de flores grandes e mais labiatados, embora não seja para todos, mas uma grande parte segue esse padrão. Devido ao fato podemos criar alguns grupos de híbridos bem interessantes que com o estudo correto da genética das plantas e as herdabilidades das características de interesse podemos direcionar os cruzamentos para produzir determinado grupo de híbridos com o fim de atender determinado nicho do mercado. Vejam agora alguns grupos de híbridos de cattleya: Grupo das plantas de flores labiatadas grandes(repolhões):
é um grupo mais clássico de híbrido de Cattleya em que suas plantas costumam ser de média a grande com aquele formato labiatado típico. As plantas desse grupo podem ter as mais variadas cores, tonalidades e padrões de coloridos. Nesse grupo englobam muitos cruzamentos interespecíficos das Cattleys bem como Blc, Lc e outras. Plantas famosas como a Chia Lin, a Horace, a Pastoral, a Toshie aoki e outras se enquadram neste grupo clássico.

Blc Chia Lin 'New City'

Cattleya Horace 'Maxima'
O outro grupo importante são de plantas de flores de tamanho mediano e com cachos que podem ter um número maior de flores. Neste grupo entram muitas plantas que suas flores ficam com o porte das intermedias, muitas pintalgadas e outros padrões de coloridos. Muitas possuem são bastante cerosas, como as espécies bifoliadas. Neste grupo ocorrem muitas plantas bifoliadas e quanto aos cruzamentos vão desde cruzamentos interespecíficos até as Blc, Slc, Bc, Potinaras e outras.






Outros dois grupos interessantes são os que possuem flores bem pequenas e os chamados "clusters", que são aquelas plantas com cachos com muitas flores formando um buquê. Neste grupo entram muitos cruzamentos envolvendo as Laelias rupícolas e as Guarianthes, além de cruzamentos complexos também.

Lc Trick or Treat Fonte: Google imagens

Hawkinsara Sogo Doll Fonte: Google imagens


Outro grupo que nas últimas décadas vem se destacando bastante é o dos cruzamentos com Brassavolas, principalmente a Brassavola nodosa. O interessante nesse grupo é que predomina a forma típica da Brassavola, ou seja, flores de pétalas e sépalas finas e labelo destacado com forma típica estrelada, mas com o colorido e forma do colorido diversificado das Cattleyas, Laelias, outros gêneros e seus híbridos. O tamanho das flores também varia bastante nesse grupo e um grande atrativo desse grupo é o grande número de flores que essas plantas produzem, sem contar na durabilidade que em muitos casos é superior a um mês, diferente dos grupos mais clássicos que as flores costumam durar de 2 a 4 semanas. Quanto ao porte das plantas é variável também, mas predominam o porte mediano e fino com crescimento do tipo cespitoso e rápido emitindo várias brotações por ano e emissão de muitas frentes de crescimento. Suas folhas e pseudobulbos são finos e tendendo a forma terete, herança marcante das Brassavolas envolvidas. Quanto ao cultivo costumam ser plantas de fácil cultivo, ótimas para orquidófilos mais iniciantes.


Brassocattleya Maicai 'Louise'


Brassolaelia Morning Glory




Brassocattleya Binosa








Brassocattleya Binosa 
Brassolaeliocattleya Kewee 'VI Galaxy'








Brassavola Little Star


Blc Felipe Haje
Próximo grupo é um grupo mais novo ainda e que ainda se vê pouco pelo Brasil, mas lá fora já é mais consolidado, porém vem cada vez mais ganhando espaço no mercado. É o grupo dos cruzamentos de Encyclias com Cattleyas e seus híbridos. O grande diferencial desse grupo é que enquanto nos demais grupos "geralmente" as hastes florais possuem poucas flores ou quando numerosas flores estão sempre no mesmo plano, ou seja, as hastes são curtas e as flores saem sempre na mesma altura ou alturas próximas umas das outras; nesse as hastes são mais cumpridas e as flores estão dispostas em planos diferentes, assim como ocorre geralmente nas Oncidineas. Essa característica é algo marcante e herdado das Encyclias, que além disso transmitem para as plantas um porte vegetativo mediano e bastante elegante , além de que as flores costumam sair puxando bastante a forma da Encyclia, porém adquirindo as cores e muitas vezes os padrões das Cattleyas e outros gêneros afins. Quanto ao tamanho das flores varia bastante, mas geralmente fica um mesclado entre o tamanho das Encyclias e o das Cattleyas, portanto é um grupo de flores de pequeno a médio porte e as hastes florais geralmente ficam mais curta do que das Encyclias, mas ficam mais longa que das Cattleyas e com número de flores variável, dependendo de quem fora usado no cruzamento. O interessante desse grupo é que é totalmente diferente de tudo que já fora apresentado e pelo fato de as flores puxarem a forma da Encyclia com o colorido vibrante das Cattleyas, acrescido de uma longa durabilidade das flores se tornou uma ótima opção para quem curte plantas de porte mais mediano com hastes maiores e flores mais espaçadas e coloridas. Diga-se de passagem, adoro esse grupo de híbridos! Quanto as plantas em geral são de fácil a médio cultivo e enraízam com muita abundância.


Catyclia Atrowalker – Fonte: Google imagens


Catyclia Atrowalker – Fonte: Google imagens


Fonte Google imagens


Fonte: Google imagem


Catyclia Greenbird – Fonte: Google imagens


Fonte: google iamegens


Fonte: Google imagens


Fonte: Google imagens


Catyclia Leaf Hopper 'Bruce Berg' HCC/AOS – Fonte: Google imagens
Catyclia El Hatillo 'Pinta' – Fonte: Google imagens
Fonte: google imagens



Catyclia Purple Glory – Fonte: google imagens
Em fim um último grupo que poderia colocar aqui seria de outros, que não se enquadram em nada descrito antes. Seria o caso de híbridos menos comuns, como híbridos envolvendo Epidendruns e outros gêneros menores. Neste grupo existem alguns híbridos bem importantes e clássicos que sempre marcam presença em exposições. Vamos ver alguns:
Epicattleya Rene Marques – Fonte: Google imagens

Epiphronitis Veitchii – Fonte: google imagens
Epicattleya Volcano Trick
Epidendrum Miracle Valley

E é isso pessoal gostaram?? Esses foram alguns exemplos de híbridos do grupo Cattleya e os possíveis agrupamentos de acordo com os padrões, mas longe de ser definitivo, até porque esse trabalho jamais tem fim e a cada ano vão surgindo novos híbridos e novos padrões, portando novos grupos poderão surgir e no final todos saem ganhando, pois sempre teremos novas plantas com novos padrões para atender o tão exigente mercado de flores e plantas ornamentais, além de colecionadores cada vez mais exigentes.

Genealogia e cruzamento dirigidos:

Agora pessoal vamos aprofundar um pouco sobre hibridação e dar alguns pitacos para aqueles que desejam trabalhar com isso ou por pura e simples curiosidade no assunto.

Quando pensamos em hibridar devemos ter em mente o seguinte: Por que hibridar? Pra quem hibridar? O que híbridar e como hibridar. Pois bem, em pensando em orquídeas, mas precisamente no grupo das Cattleyas devemos ter em mente que o tempo entre uma geração e outra é bastante longo, ou seja, a partir do momento que cruzamos uma flor até o primeiro florescimento da nova geração leva no mínimo uns 5 anos em média, portanto é muito importante saber porque que eu estou hibridando. Será por pura e simplesmente satisfação pessoal? Será por interesse de estudo da genética? Será por motivos comerciais? Todos os motivos são válidos, mas quando pensamos principalmente em motivos comerciais aí devemos ser bem cuidadosos, pois um cruzamento ruim vai levar o mesmo tempo de geração que um cruzamento bom, porém o risco de não atingir uma boa venda com cruzamentos ruins é bem alta podendo significar um bom prejuízo para sua produção, daí entra a importância da genealogia dos híbridos. A genealogia ou árvore genealógica dos híbridos não nos diz apenas as plantas que foram usadas em determinados cruzamentos e as datas, mas sim nos dizem muito sobre as características que foram transmitidas ao longo do tempo até o híbrido em questão, portanto, uma analise detalhada e aprofundada de todos os envolvidos em uma dada genealogia nos permite inferir com algum grau aquelas características de interesse que foram transmitidas e amplificadas para chegar naquele belíssimo resultado que permitiu muito lucro para seus produtores. Além disso, analisando uma genealogia é possível verificar se um cruzamento foi algo meramente especulativo, ou seja sem nenhum critério, ou se ele seguiu uma determinada linha para melhorar determinada característica, ou ainda se ele começou como algo especulativo e depois foi se buscando um direcionamento. Com a genealogia essas deduções são possíveis, além claro do grande valor histórico que ela traz dos famosos híbridos. Para interpretar bem uma genealogia não é algo tão simples assim e exige tempo e dedicação, pois é necessário analisar imagens de cada planta envolvida no cruzamento para então tentar estabelecer uma relação das características de interesse e as que foram passadas adiante e em qual grau e para isso é muito interessante a observação dessas características de interesse em nossas plantas. Chamo de característica de interesse as seguintes:

  • Forma da flor;
  • tamanho da flor;
  • colorido da flor;
  • forma do colorido da flor;
  • número de flores;
  • substância da flor;
  • floricidade da planta:
  • porte da planta;
  • precocidade da planta;
  • facilidade de cultivo;
  • resistência à pragas e doenças.

Em especial, as características ligadas a flor são as mais importantes e mais utilizadas na hora de direcionar um cruzamento, pois quando pensamos em orquídeas pensamos principalmente em suas flores, daí elas são as mais estudadas. Por exemplo, observar que numa determinada genealogia aquela forma do labelo predomina ao longo das gerações e ela foi herdada da espécie tal, portanto com esse dado já se sabe que a probabilidade dessa dada característica ser passada adiante e melhorar o novo cruzamento é boa. Isso vale para flameados, para formas diferentes, dentre outros detalhes. Agradeço muito ao meu amigo Jorge Figueiredo(Sagitário) que me ensinou muito a observar essas características que servem de assinatura dos híbridos e nos dão pistas muito boas de quem foi utilizado em tais cruzamentos e como elas se comportam ao longo da genealogia.

Pois é pessoal esse é um assunto bem extenso e de fato complexo, mas que mais uma vez quem vai ser crucial para um bom programa de melhoramento será a observação dessas Características junto com o estudo da genealogia e do que houver de literatura sobre a genética das plantas pessoal e o resto já sabem é polinizar, anotar tudo, semear, cultivar e esperar pelo tão aguardado resultado. Vou agora dar alguns exemplos do que seria um cruzamento especulativo e um cruzamento direcionado. vamos lá...

Cruzamento especulativo: "Bom vou cruzar uma Cattleya labiata com uma Cattleya luteola. Não sei nada sobre as duas e quero ver o que pode acontecer."

Cruzamento direcionado:

"De acordo com as observações que fiz em algumas genealogias de cruzamentos de Encyclias com Cattleyas e de imagens e plantas em exposições pude perceber que as Encyclias geralmente são dominantes em transmitir sua forma de flores, mas recebem com certa facilidade as cores e padrões de coloridos das Cattleyas, porém é comum que as flores saiam com uma cor "suja" que seria como se fosse uma "mistura " da cor da Cattleya com o fundo escuro das Encyclias, portanto usarei uma variedade albina que creio não ter esse problema, já que os genes que transmitem esse fundo não estariam presentes. Percebo também que o vegetal da planta fica um mesclado entre a planta da Cattleya e Encyclia e as flores podem ficar um pouco maiores. Portanto, vou fazer um cruzamento entre a Cattleya loddigesii, que passa um efeito meio amarelado clareando para o branco no labelo com uma Encyclia randii alba, que possui labelo grande e flores vistosas esperando conseguir tirar uma porcentagem de plantas que peguem o efeito do labelo da C. loddigesii com as pétalas e sépalas de cor rosada, como a C. loddigesii."


Conceito de Cruzamentos primários e Complexos:

Pessoal vamos entender o que seria um cruzamento complexo e primário.

É comum em conversas com orquidófilos, ou quando estão em um ambiente de exposição escutarem muito falar de cruzamentos primários e complexos. Pois bem o conceito é bastante simples de entender, porém muito importante.

Quando cruzamos duas espécies, seja quais forem, seja do mesmo gênero ou de gêneros diferentes dizemos se tratar de um cruzamento primário. Quanto sua genealogia é muito simples pois só existe uma geração ligando o cruzamento. Vejam o exemplo: Cattleya Walkerinter – Cattleya walkeriana x Cattleya intermedia
Cattleya Portia – Cattleya bownrigiana(atual Guarianthe) x Cattleya labiata

Quando cruzamos uma espécie com um híbrido, ou um híbrido com outro híbrido chamamos o resultado de híbrido complexo e sua genealogia sempre vai envolver mais que uma geração, podendo ser de duas gerações até infinito. Vejam as seguintes genealogias:


E aí pessoal gostaram? Pois é falei bastante de genealogia e dos cruzamentos, mas aí a pergunta. Onde encontro esses materiais? Pois bem, existem programas com banco de dado desses cruzamentos e sites onde se podem encontrar as genealogias e informações sobre alguns cruzamentos, mas o local onde se poderá fazer pesquisas mais precisas, sem dúvida é o Site do RHS, onde estão registrados todos os híbridos e é possível mesmo que não se ache a genealogia pronta do híbrido que queira procurar fazer a montagem da genealogia de forma braçal através da ferramenta de parentesco dos híbridos que existe lá.


Seedling X sibling X self X retrocruzamento X meristema X poliploidia:

Para finalizar vamos entender o que é Seedling, Sibling e meristema: Dentro ainda dessa linguagem da hibridação e quando vamos adquirir orquídeas é comum na descrição da planta encontrar escrito que é um Seedling ou um Sibling ou um meristema, sem contar o self e o famoso retrocruzamento, mas vocês sabem o que é isso? Seedling – vem de sementeira e na prática são todas as plantas, seja híbridos ou espécies oriundas da semeadura. Quando se trata de híbridos o resultado sempre será diferente dos pais que deram origem e quando compramos seedlings é meio que uma loteria, pois por mais direcionado que seja o cruzamento as combinações ocorrem ao acaso e aí podemos ter sorte de sair algo muito bom, ou nem tanto. Em geral essas plantas são mais baratas e todos nós adoramos adquirir alguns seedlings para tentar a sorte.

Sibling – também é um tipo de seedling, porém nesse caso significa que é um cruzamento entre plantas irmãs, por exemplo, fiz um cruzamento entre a planta A e B e então saíram os filhos C, D, E, F e assim em diante e então resolvi pegar o filho C e E e fazer um cruzamento entre eles. A esse tipo de cruzamento chamamos de Sibling, que é o cruzamento entre plantas irmãs. Esse tipo de cruzamento é muito utilizado quando quando saem plantas interessantes no lote de um determinado cruzamento e então se resolve cruzar essas plantas entre si para tentar obter algo ainda melhor. Muitas vezes ao comprar esse tipo de informação vem escrito na placa.

Self – significa quando se pratica a autopolinização de uma determinada planta, seja híbrido ou espécie, porém geralmente é praticado mais em espécie e geralmente vem indicado na placa da planta.

Retrocruzamento – Retrocruzamento é outra técnica muito utilizada no melhoramento e significa o seguinte. Vejam o exemplo que a explicação fica mais fácil: Cruzei a espécie A com a Espécie B e obtive o híbrido C, porém eu quero que a espécie A tenha uma Característica que é muito interessante que só existe na espécie B. A partir disso com o resultado do cruzamento entre as duas espécies, ou seja o Híbrido C é escolhido o indivíduo que possui a característica de interesse e então se faz o cruzamento da espécie A com esse híbrido C. O resultado será uma planta que começa a ter as características da espécie A, mas sairão vários indivíduos com aquela característica de interesse que tinha na B, porém a planta ainda terá muitas características das duas espécies, portanto se faz um novo cruzamento desse indivíduo resultante com a espécie A e novamente as plantas resultantes terão cada vez mais "cara" da A com a característica de interesse e assim sucessivamente até que a planta resultante fique com cara da espécie A com apenas aquela característica nova de interesse. A esse procedimento é chamado retrocruzamento e ao resultado é erroneamente chamada de espécie pura por cruzamento, porém essas plantas na verdade são híbridas, pois mesmo que ela possua carga genética praticamente da espécie A ela vai ter aquela característica de interesse da Espécie B e assim sendo não será uma planta pura.

Meristema – é um tipo de clonagem oriunda da cultura de tecidos. É a técnica mais usada em orquídeas para obtenção de plantas geneticamente idênticas. Muito utilizado em híbridos ou espécies com plantas de padrão de qualidade elevado. Geralmente na placa ou etiqueta vem escrito meristema e quando se tem essa informação, significa que a planta sairá igual ao que está na foto, mas não significa que todos os meristemas sejam sempre copia fiel da planta, pois quando se multiplica um determinado meristema de uma planta, além dos limites de segurança para o procedimento, podem surgir as famosas variações somaclonais, que são mutações que podem ser benéficas e melhorar a forma da planta ou geralmente piorar a qualidade da planta.

Poliploidia – Conceito lá da genética e é relacionado ao número de cromossomos do indivíduo.

Toda espécie possui um número básico de cromossomos que varia de espécie para espécie e a esse número é chamado número haploide. No geral as espécies são diploides, ou seja, possuem 2x o número básico de cromossomos, porém por algum motivo ou mesmo de forma induzida podem surgir indivíduos poliploides dentro de um cruzamento, sendo o mais comum os tetraploides. Muitas vezes esses indivíduos se tornam plantas aberrantes cheias de problemas, porém alguns casos surgem plantas muito superiores às diploides podendo ter um vegetal mais robusto e mais precoce, flores mais vistosas e bem maiores, fora outras características. A poliploidia é explorada em orquídea com certo grau e quando se encontram plantas no mercado assim geralmente elas vem descritas como 4n ou 6n ou o número que for.
E era isso pessoal. Acabo por aqui essa viagem pelo mundo dos híbridos de cattleya e um pouco de hibridação, bem básico, mas espero que seja de grande ajuda para todos. Seguirá aqui no final o vídeo complementar a esse assunto e quem tiver dúvida sobre esse ou os demais assuntos é só entrar em contato por um dos meios existentes no blog. Forte abraço a todos e até a próxima!!!



Referências e links de interesse:






http://apps.rhs.org.uk/horticulturaldatabase/orchidregister/orchidregister.asp – Registro internacional de híbridos de orquídeas – RHS

http://www.orchid.or.jp/orchid/people/hashizume/kakeizu/kakeizu.htm – Site com algumas genealogias do grupo das Cattleyas

2 comentários:

  1. Oi Andrew.
    Na pratica, pra gente que cultiva em casa, quais são as diferenças entre a planta oriunda de sementeira e de meristema?
    Claro além das que foram citadas no texto, como a tonalidade e diferenças entre pai e filho.

    Por exemplo, a durabilidade da planta, o tempo de floração, resistência à pragas, crescimento etc..

    Obrigado e parabéns pelo blog, minha meta de vida é ler ele inteirinho kkkk

    Abço Thiago M.

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    1. Olá!! Olha em relação às diferenças entre seedlings e meristemas em termo de durabilidade é muito relativo, vai depender muito da planta que fora meristemada, por exemplo existem alguns casos que eram comprovadamente plantas viróticas, como a Blc almakee e esses meristemas tinham uma duração de uns 10 a 12 anos em média, mas tem pessoas que possuem essas plantas a muito mais tempo até pelo fato que com as técnicas de limpeza clonal é provável que muitos desses clones hoje em dia já sejam limpos.
      Em relação ao crescimento também é relativo, embora há uma tendência dos meristemas crescerem um pouco mais rápido e em relação à resistência vai depender muito dos híbridos ou espécies envolvidos nos cruzamentos que geraram esses clones, mas também é outra questão relativa.

      Agora uma coisa que ocorre em meristemas é a variação somaclonal, que consiste em mutações que ocorrem quando a partir de uma única gema se faz um número muito maior do que o recomendado de clones o que pode culminar em algumas plantas um pouco diferentes ou até deformadas.

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